MATÉRIA SOBRE O GURGUÉIA

 

FUNDO NACIONAL DE MEIO AMBIENTE APROVA PROJETO PARA O GURGUÉIA

(cidadeverde.com - 19/07/2006)

 

Projeto apresentado pelo Governo do Estado, através da Secretaria de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Semar), que garante a avaliação e o monitoramento da qualidade e quantidade da água na Bacia, foi aprovado pelo Fundo Nacional de Meio Ambiente (FNMA). O projeto objetiva recuperar as nascentes e a conservação da mata ciliar da Bacia do Rio Gurguéia e foi elaborado tendo em vista o alto índice de degradação ambiental existente, considerando que se trata do maior afluente do rio Parnaíba pelo lado direito, correspondendo a cerca de 19% da área total do Estado, sendo a segunda maior Bacia inserida no bioma cerrado.

Técnicos da Semar passaram mais de dois meses elaborando o projeto que foi aprovado pelo Fundo Nacional, que pela primeira vez manifestou interesse em aprovar esse tipo de proposta no Piauí.

Na elaboração do projeto foram levadas em conta as atividades econômicas desenvolvidas na Bacia do Gurguéia e que ao longo dos anos vêm ocasionando grandes danos ambientais, colocando em risco ativos ambientais estratégicos importantes, como os rios, riachos, brejos que alimentam a bacia, além do solo, a vegetação e a mata ciliar.

“É importante ressaltar que no centro dessa discussão está o duplo desafio do projeto que é estabelecer a recuperação das nascentes e matas ciliares do Rio Gurguéia, bem como avaliar qualitativamente sua água, além de desenvolver atividades de educação ambiental junto às comunidades ribeirinhas e grandes proprietários. Tudo isso mostrando a importância da viabilização econômica da população de forma sustentável na região”, enfatiza o secretário Dalton Macambira.

A Bacia abrange, total ou parcialmente, 33 municípios, entre eles: Cristalândia do Piauí, Corrente, Sebastião Barros, Parnaguá, Júlio Borges, Gilbués, Curimatá, São Gonçalo do Gurguéia, Bom Jesus, Guaribas, Cristino Castro, Eliseu Martins, Uruçuí, Manoel Emídio, Colônia do Gurguéia, Jerumenha, Canto do Buriti, Monte Alegre do Piauí, Avelino Lopes, Morro Cabeça no Tempo, Santa Luz, Currais, Riacho Frio, Bertolínia e Palmeira do Piauí.

É importante destacar que devido a sua importância socioeconômica e ambiental a Bacia do Rio Gurguéia, ao longo dos anos, vem sendo explorada de forma predatória, face ao modelo de desenvolvimento econômico adotado nessa região que prioriza a utilização dos recursos naturais sem preocupação com sua sustentabilidade.

“Constata-se ainda que desde as nascentes até sua foz inúmeras atividades impactantes vêm sendo desenvolvidas em suas margens, tais como agricultura de subsistência, ocupação urbana, desordenada, agricultura irrigada, implantação de pastagens e a pecuária extensiva”, informou a coordenadora do projeto, Teresinha de Jesus Aguiar. Além dessas atividades, a região vem se destacando com a produção de grãos, especialmente soja e arroz, ambos de sequeiro, ou seja, uma agricultura que depende de água da chuva, decorrente principalmente da ocupação das áreas de chapadas por grandes proprietários, em sua maioria, das regiões Centro-Oeste e Sul do país. A região vem se caracterizando pelo crescimento econômico em detrimento do desenvolvimento com sustentabilidade.

No município de Redenção do Gurguéia será trabalhada uma área de 470 ha, localizada no assentamento do Incra, denominado Barro Vermelho, cujos beneficiados serão 25 famílias de assentados. No município de Bom Jesus, serão beneficiados dois proprietários da zona urbana, o assentamento Conceição, com 120 famílias, o Riacho Grotão e Barra Verde, dois importantes afluentes do Rio Gurguéia no município. 

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