OPINIÕES
 

GURGUÉIA: ENFIM UM ENFOQUE TÉCNICO

Tudo indica que a discussão em torno da criação do Estado do Gurguéia começa a tomar novo rumo. É que foi fundado a 18 de novembro último, em prestigiada assembléia, o Centro de Estudos e Debates do Gurguéia - Cedeg, entidade apartidária, sem fins lucrativos ou econômicos, destinada a aprofundar pesquisas e estudos com vistas a melhor fundamentar o projeto e elevar o nível do debate sobre tão polêmico assunto. Concomitantemente, o Cedeg funcionará também como fórum permanente de discussão dos problemas daquela região, visando identificar carências e possíveis soluções, divulgar suas potencialidades e oportunidades de investimentos.

Vê-se que o movimento, com a novel entidade, busca conduzir o debate para o campo eminentemente técnico, superando a fase em que predominou o enfoque meramente político, não raro marcado por ressentimentos, passionalismos e preconceitos.

Para isso, em reunião realizada dia 12 do corrente, foram constituídos vários grupos de trabalho, integrados por especialistas em diferentes áreas do conhecimento, os quais se encarregarão de estudar todos os aspectos que envolvem a pretendida emancipação, sobretudo os impactos econômicos, financeiros, geográficos, sociais e administrativos que ela causaria. A próxima reunião será a 16 de janeiro vindouro, às nove horas, na sala da Interlegis da Assembléia Legislativa, inteiramente aberta ao público interessado.

Tais grupos de trabalho, depois de criteriosos estudos, por certo vão apontar o rumo a seguir, posto que só haverá emancipação se ficar sobejamente comprovado que tal solução seria benéfica também para o Piauí. Significa dizer que o Piauí, que tem no centro-norte 77% de seu eleitorado, precisa estar suficientemente convencido das vantagens adicionais que dela auferirá, sem o que dificilmente a aprovará, no plebiscito a ser realizado.

Os cuidados que cercam as atividades do Cedeg evidenciam muito bem o caráter pacífico e democrático do movimento, de modo a reafirmar que não pretendemos criar o Gurguéia contra o Piauí e, sim, com o Piauí, a exemplo do que ocorreu com o Tocantins, cuja criação foi patrocinada pelo próprio Estado de Goiás. E os dados de que dispomos indicam claramente que ambos obtiveram incomensuráveis ganhos com a emancipação do norte goiano, considerado o Gurguéia de então, pois rico de potencialidades e extremamente pobre em desenvolvimento humano. É por quê? Simplesmente porque o Piauí, cuja capacidade de investimento em infra-estrutura não alcança cinco por cento de seu orçamento, não dispõe de recursos para transformar aquelas potencialidades em riqueza e bem-estar social, por mais bem-intencionados que sejam seus dirigentes. E boa vontade não tem faltado a nenhum deles, apenas os recursos necessários.

Saudável é constatar que a cada dia o movimento vem perdendo o caráter inicial de uma postulação isolada dos habitantes do sul do Piauí para se constituir em solução plenamente viável e definitiva para romper-se o histórico circulo vicioso de pobreza do Estado, seja pela multiplicação de recursos que vai gerar, seja pela transferência de encargos para a nova unidade federada. Por isso é que vem despertando o interesse de amplos e responsáveis setores do centro-norte. Prova maior é a presença ativa de figuras representativas de seu mundo político, econômico e intelectual naqueles grupos de trabalho, num contagiante espírito de voluntariado, consciência crítica e preocupação verdadeira com os destinos do Piauí como um todo. Que o digam o jornalista Deoclécio Dantas, o professor Waldemar Rodrigues e muitos outros que abraçaram a causa.

*Presidente do Cedeg

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