MATÉRIA SOBRE O GURGUÉIA

 

GURGUÉIA, UM SENTIMENTO  

 

  Rui Araújo de Azevedo,  economista e professor  

Em meados da década de 80 do século passado, tivemos o primeiro contato com o extremo sul do Estado do Piauí. Fomos até Corrente. Na ida e na volta contemplamos a exuberância da vegetação e os vales úmidos do Gurguéia. O poço Violeta esbanjava sua potencialidade como que chamando a atenção para a riqueza da região. Naquela época, talvez, a idéia da criação do Estado do Gurguéia, já povoava o universo dos sonhos do então Deputado Jesualdo Cavalcanti.

 Passados 20 anos, novamente visitamos a região em setembro p.p. Constatamos mudanças no seu cenário sócio-econômico, mas o contato com nossos alunos da pós-graduação, nos permitiu concluir que aquelas plagas piauienses sofrem de um profundo descaso administrativo do governo estadual, não por sua inépcia ou má vontade, mas pela absoluta falta de condições técnicas, administrativas e financeiras de atender aos reclames das comunidades afastadas do centro das decisões governamentais. 

 Naquela ocasião, ministramos um curso sobre exportação e ficamos bastante animados quando ouvimos jovens empresários pós-graduandos, manifestarem o desejo de formarem um consórcio produtivo buscando ampliar a exploração da pecuária e visando a exportação de carnes, couros e derivados do leite. Ora, qualquer educador mais ou menos bem informado, sabe que para a implementação de uma atividade produtiva, precede um sonho, um desejo e deve também saber que a viabilização de um sonho requer a existência de condições materiais, técnicas e financeiras. Pelo menos as duas primeiras, o sul do Piauí as possui. Quanto às condições financeiras, a vitalidade da atividade agrícola, em expansão na região, na certa contribuirá para que os sonhos da juventude empresarial do sul seja uma realidade num futuro próximo.

 É bem verdade  que alguns, hoje não muitos, se opõem à criação do Estado do Gurguéia. Estes poucos, conhecem como nós, a história do Estado de Tocantins e do Mato Grosso do Sul. Se opõem talvez, apenas por razões muito mais políticas do que técnicas, pois ao longo dos séculos, a práxis tem nos ensinado que é preciso ter fé e coragem para mudar o que está posto.

 Em que pese sermos apenas um cidadão comum, temos sobrados motivos para acreditar na possibilidade de converter o sonho inicial de Jesualdo Cavalcanti num sentimento altruístico que envolva os filhos desta terra na caminhada rumo ao desenvolvimento que tanto almejamos.

 Seria muito interessante que os cidadãos interessados na criação do Estado do Gurguéia participassem do Centro de Estudo e Debates do Gurguéia – CEDEG, para que, de forma democrática, contribuíssem com discussões, debates e sugestões, visando o desenvolvimento auto-sustentado do que se pretende criar.

 A criação do Estado do Gurguéia requer sabedoria, principalmente de seus opositores. Nós outros que o defendemos, acreditamos que a divisão será benéfica, pois o sentimento de piauiensidade nunca será dividido. Pertencemos a um mesmo tronco. Temos uma mesma raiz. Tronco e raiz que nos impulsionam a vislumbrar o progresso, agregando sentimentos novos.                                                             

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