MATÉRIA SOBRE O GURGUÉIA

 

PIAUHY VI - GOVERNADORES DE PARNAÍBA  

  Deoclécio Dantas - jornalista

 

No município de Parnaíba, de tantos e inquestionáveis pioneirismos, nasceram três ex-governadores do Piauí, todos de larga popularidade, o que sinaliza para elevado grau de aprovação de suas administrações.

 São eles: Chagas Rodrigues, governador no período de 31 de janeiro de 1959 a 3 de julho de 1962; Alberto Silva, com dois mandatos, foi governador de 15 de março de 1971 a 15 de março de 1975, tendo voltado ao comando do Estado no período de 1987 a 1990; e, por último, Mão Santa, também com dois mandatos, iniciados em janeiro de 1994 e terminados em novembro de 2001.

 Desta forma, Parnaíba, de longas e largas avenidas, muitas delas asfaltadas, entre 1959 e 2001, teve três dos seus filhos comandando o Piauí por exatos 18 anos, além da extraordinária influência do ex-ministro parnaibano João Paulo dos Reis Veloso. Aquela cidade, no entanto, considerada a mais importante do interior, não tem um palmo de esgoto sanitário.

 E não me atrevo a dizer que faltou vontade nos três ex-governadores e no ex-ministro para oferecer o melhor em saneamento à terra onde nasceram. O que faltou foi dinheiro, também escasso para os desafios impostos à administração estadual pelos municípios do extremo sul.

 Carentes não apenas de redes de esgoto sanitário mas também de água encanada, estradas, redes de energia elétrica, saúde e educação de melhor qualidade, os municípios da região do Gurguéia clamam por uma divisão territorial capaz de socorrê-los nas suas seculares reivindicações.

 Com tal objetivo, o Centro de Estudos e Debates do Gurguéia – CEDEG, presidido por Jesualdo Cavalcanti Barros, acaba de formar grupos de trabalho voltados para a elaboração de relatórios que vão revelar as carências do Estado nas áreas de saúde, educação, agricultura, pecuária, energia elétrica, saneamento básico, meio ambiente, densidade populacional e o que mais for necessário ao conhecimento da nossa realidade.

 E o Piauí que se cuide, se não quiser ficar na poeira da divisão territorial defendida por outras unidades da Federação, de lideranças mais atentas aos benefícios dela decorrentes.

 Mônica Bérgamo, colunista do jornal Folha de São Paulo, fez o seguinte registro na edição do dia 28 de dezembro último, sob o título “São Paulo do Leste”:

“A proposta de um novo Brasil, dividido em estados como Minas do Norte, Pantanal, Solimões, São Paulo do Leste e Maranhão do Sul, está em curso no Congresso Nacional. O mapa com esses novos recortes do país, baseado em 18 projetos de lei que propõem a criação de novos estados e território, foi desenhado pela revista Insight Inteligência, que começou a circular ontem”.

 Se o Piauí sambar, quando das divisões defendidas por expressivas lideranças dos Estados citados na coluna de Bérgamo, vai ficar sem dinheiro, que já é pouco, para dar atendimento à metade dos seus atuais compromissos.

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