MATÉRIA SOBRE O GURGUÉIA

 

A RONDA DA MORTE

 

 

Rui Araújo de Azevedo, professor e escritor 

 

Mais uma vez, voltamos a escrever sobre o Velho Monge, o nosso Rio Parnaíba.

Parece brincadeira, mas não é, pois temos comprovação através de fotografias publicada em um dos jornais de nossa cidade, onde mostra um dos nossos humildes pescadores, a lançar sua tarrafa no leito do rio, com águas sobre os joelhos. Estamos ainda no mês de maio e para nossa surpresa, a Chesf que monitora a vazão do Rio Parnaíba aqui em Teresina, nos informa que em apenas uma semana a vazão do Velho Monge, baixou em 50%. Significa dizer numa linguagem popular que o rio está baixando, o que não é novidade, porém, não nessa época. Daí, nossa preocupação que acreditamos ser de muitas outras pessoas que se preocupam com um dos maiores patrimônios deste Estado.

No ano passado, por duas vezes, mobilizamos nossos alunos e organizamos duas manifestações pacíficas, nas quais chamávamos a atenção das autoridades municipais e estaduais sobre as precárias condições do rio, naquele momento. Nossos alunos, universitários que, com uma certa ufania, participaram dos eventos, ainda hoje nos perguntam sobre os resultados da manifestação. Infelizmente, somos obrigados a dizer que pregamos no deserto, pois as autoridades estaduais, a quem compete a gestão dos recursos hídricos do Estado, não deram a mínima importância ao que a sociedade, através dos universitários, procurou alertar sobre o problema ambiental, que era visível na época e que agora se acentua, haja vista a prematura demonstração de que o rio baixará mais ainda nos meses de setembro a dezembro. Até quanto, não se sabe.

A Lei Federal nº 9433 de 08/01/97 instituiu o Comitê de Bacias como sendo um órgão colegiado com atribuições normativas, deliberativas e consultivas na bacia hidrográfica de sua jurisdição e que deverá adequar a gestão dos recursos hídricos às diversidades físicas, bióticas, demográficas, econômicas, sociais e culturais de sua área de abrangências. A instalação do(s) comitê(s) garante aos Estados que aderiram ao que determina a lei e a resolução nº 5 do Conselho Nacional de Recursos Hídricos, a possibilidade de obterem recursos do Fundo Nacional de Meio Ambiente e internacionais, para a implementação de projetos que visem a preservação e conservação do meio ambiente.

Poucos sabem, mas é prazeroso tornar público que o Estado do Piauí possui a segunda maior bacia hidrográfica do nordeste, mas nessa condição, perde para o Estado do Ceará que já instalou oito comitês de bacia hidrográfica e até agora, nós não instalamos nenhuma. E por que o Ceará agiu assim? Porque não está na contra-mão da história, mesmo não possuindo o potencial hídrico que o Piauí possui.

As manifestaçãos estudantis organizadas por nós e a FUNDAÇÃO VELHO MONGE foram divulgadas pelo rádio, pelos jornais e por alguns canais de televisão locais. Se não mereceram a atenção dos gestores públicos responsáveis pela política ambiental do Estado do Piauí, resta-nos esperar que agora, ano de eleição, os gestores estaduais se pronunciem a respeito e quem sabe, justificando o que todo mundo sabe, o descaso pelo Velho Monge que pede socorro, antes que a morte chegue.                                                                                                      

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