![]() ![]() |
|
|
|
OPINIÕES |
|
A FORMAÇÃO DO FUTURO ESTADO JOSÉ MENDES DE SOUSA MOURA* O topônimo - Gurguéia - é uma homenagem a importante rio da região O rio Gurguéia é o maior afluente da margem direita do rio Parnaíba. Nasce com o nome de Brejão, numa vertente norte da Chapada das Mangabeiras. Em 1697, o Padre Miguel Carvalho, em missão na região, chamou-o de rio Goroguca, nome que depois evoluiu sucessivamente para Goruguéia, Gorguéia, Gorguéa e, finalmente, Gurguéia no dialeto dos índios Gueguês, Gurguê ou Gurguas, que habitavam ao longo de sua margem direita. A região que se pretende separar do Piauí para formar o Estado do Gurguéia fica ao sul da rodovia BR-220, também conhecida por Transamazônica, que corta o Piauí desde Floriano, vinda do Maranhão até alcançar o Estado de Pernambuco. A linha divisória, no entanto, não será definida pelo traçado da citada rodovia, mas sim de modo a não afetar a integridade da área de nenhum município, isto é, a linha que definirá as fronteiras naturais do Gurguéia com o Piauí seguirá o traçado das divisas dos municípios limítrofes. A cidade de Oeiras deverá permanecer no Piauí em respeito à sua condição de primeira Capital do Estado. A área territorial do Piauí é de 250.934 Km² . Com o desmembramento, o Piauí ficaria ainda com a expressiva área em torno de 100.000 Km², ficando o Gurguéia com a área em torno de 150.000 Km². O Piauí deverá ficar com uma área mais ou menos igual à de Pernambuco (101.023 Km²) e superior, individualmente, a pelo menos sete estados brasileiros, a saber: Santa Catarina (95.318 Km²); Paraíba (53.958 Km²); Rio Grande do Norte (53.166 Km²); Espírito Santo (45.733 Km²); Rio de Janeiro (43.653 Km²); Alagoas (29.106 Km²); e Sergipe (21.862 Km²). Por outro lado, o Gurguéia terá área territorial superior, individualmente, aos citados e mais dois estados: Ceará (145.693 Km²) e Amapá (142.358 Km²). Mapa geopolítico do Brasil deve mudar No citado discurso histórico em que o então deputado federal Jesualdo Cavalcanti lança a idéia da criação do Gurguéia, ele lembra que a divisão territorial do Brasil “não favorece a eficiência administrativa nem a interiorização do desenvolvimento” e cita, ainda, algumas mazelas decorrentes dessa divisão, que resultaram “gigantismo e disformidade” de alguns Estados: “Imensos espaços vazios, grandes distâncias dos centros de decisões, descontinuidade administrativa, privilegiamento de regiões dotadas de maior peso político ou econômico, indiferença quanto à vocação econômica e às potencialidades de cada região, ausência de políticas de desenvolvimento para as regiões mais distantes e carentes”. (Notícias do Gurguéia, Jesualdo Cavalcanti Barros, p. 30, Grafiset – Timon-MA, 2002). Comparando-se a divisão territorial brasileira com a dos Estados Unidos, ou com a do México, pode-se perceber a irracionalidade na composição do mapa do Brasil. Enquanto este possui apenas 26 Estados e um Distrito Federal, distribuídos numa área de 8.511.996 Km², os Estados Unidos, com pouco mais de 10% dessa área, contam com 49 Estados e um Distrito Federal. E o que dizer do México, com uma área pouco mais de 20% do território brasileiro, que está dividido em 29 Estados e dois Territórios Federais? Por isso complementa Jesualdo Cavalcanti: “Se não por motivos históricos e culturais, pelo menos em respeito à racionalidade” o mapa do Brasil deve ser redesenhado. (Barros, op. cit. p. 30).
* José Mendes de Sousa Moura é Engenheiro Civil, Escritor, Sócio-fundador e colaborador do CEDEG - Centro de Estudos e Debates do Gurguéia. jmsmoura@uol.com.br
|