MATÉRIA SOBRE O GURGUÉIA

 

O ESTADO DO GURGUÉIA

ZÓZIMO TAVARES

(JORNAL DIÁRIO DO POVO - 01/08/2007)


Durante muito tempo, fiquei com o pé atrás diante da idéia de criação do Estado do Gurguéia. Essa conversa de divisão do Piauí surgia sempre que o PFL perdia a eleição para governador. Mas hoje a bandeira já não é mais só dos pefelistas. Outras lideranças políticas e empresariais do Sul do Piauí estão animadas com o projeto de criação do novo Estado. Entendo que o debate acerca do assunto é, no mínimo, oportuno.
Estive na região algumas vezes, nos últimos anos. Só a Corrente, no Extremo-Sul do Estado, fui quatro vezes, a última delas em abril passado. E o que constatei, em todas elas, é o abandono da região pelo Governo do Estado. A bem da verdade, apenas um governo fez investimentos maciços no Extremo-Sul: Alberto Silva, em seu primeiro mandato. Antes disso, a região vivia literalmente isolada do resto do Piauí. Sua comunicação era com a Bahia e com Brasília.
Ainda hoje, passados mais de 30 anos, o nome do Dr. Alberto é uma legenda no Sul do Piauí, por ter levado a estrada asfaltada de Luís Correia, no Norte, a Cristalândia, no Extremo-Sul. Mas os investimentos daquele período não tiveram continuidade. A região é tão abandonada que o Tocantins, transformado em Estado recentemente, se achou no direito de invadir as terras piauienses!
Que se faça, pois, um debate sério sobre a criação do Gurguéia, uma idéia lançada pelo parnaibano Chagas Rodrigues. Foi ele o primeiro político que ouvi falando sobre o tema. Depois, o PFL tomou conta da criança. Também foi Chagas, que no momento visita o Piauí, o primeiro político a viajar de Teresina para Brasília de carro, atravessando todo o Sul piauiense, para se inteirar melhor da realidade do interior.
O raciocínio que desenvolvo sobre a idéia de criação do Gurguéia é o mesmo com que avalio a criação dos municípios: não conheço nenhuma cidade que tenha piorado porque seus povoados foram emancipados. E também não conheço nenhum povoado que tenha regredido porque foi transformado em município. Ou há?

 

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