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MATÉRIA
SOBRE O GURGUÉIA |
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A DIVISÃO DO PIAUÍ EDITORIAL JORNAL MEIO NORTE - 14/08/2007
O fato é que até aqui ninguém conseguiu provar se a tese da divisão é boa ou ruim, mas os que vêem malefícios têm apresentado dados bastante consistentes para levá-la a pique. Os gastos com a burocracia são a parte mais visível das mazelas apontadas. Tome-se o exemplo do que já existe e se verá que um novo Estado, de saída, estará autorizado pela Lei de Responsabilidade Fiscal a gastar até 49% de suas receitas correntes líquidas com custeio de pessoal, ou seja, de saída se teria quase metade do dinheiro esperado comprometido com servidores públicos. Ora, se a burocracia vai consumir a maior parte dos recursos de um novo Estado, é razoável que se imagine manter a situação como está, buscando a redução do custeio para que se façam investimentos públicos necessários naquela região. Há, contudo, um argumento forte dos defensores da divisão: a maioria dos recursos públicos do Piauí é investida na porção Centro-Norte do Estado, mais densamente povoada. Para os “gurgueianos” a separação lhes daria um montante próprio de verbas para investimento pontual em seus interesses. Não há como negar que este é um argumento que pode e deve ser levado em consideração. Mas resta provado que um novo Estado vai custar muito dinheiro à União, que se guia por um rigor fiscal nunca antes visto neste país. Assim, mesmo que se diga que haverá desenvolvimento econômico, para os economistas a divisão será mera ampliação de despesas públicas, o que é inaceitável aos que vivem à cata de um déficit fiscal zero. Há ainda um obstáculo a ser vencido pelos “gurgueianos”: a dívida. Numa divisão, seria o que sobrasse do Piauí o responsável pela maior parte do dinheiro devido, talvez até a sua totalidade, como ocorreu a Goiás quando da criação de Tocantins. Com efeito, os argumentos fiscais que se prestam para Brasília vetar o surgimento de uma nova Unidade da Federação, também podem servir de arrimo para que o atual e futuros ocupantes do Palácio de Karnak torçam o nariz para a idéia de dividir o Estado em dois.
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