A paixão pela pesquisa
histórica, associada à produção de textos primorosos, levou Jesualdo
Cavalcanti Barros a produzir mais uma obra que enriquece a historiografia
piauiense.
O livro agora lançado, o oitavo de sua autoria, tem o título "Gurgueia -
Espaço, Tempo e Sociedade" e totaliza 508 páginas recheadas de narrações
sobre uma área de 155.568 quilômetros quadrados, na qual estão concentrados
mais de 700 mil habitantes. Trata-se da região do Gurgueia, descrente, faz
tempo, em intervenções salvacionistas do governo do Piauí, que insiste em
agravar velhas inconformidades das populações concentradas nos 87 municípios
que a compõem.
No livro agora colocado nas livrarias de Teresina, o gurgueiano Jesualdo
Cavalcanti Barros externa o seu, e o inconformismo de seus conterrâneos, ao
tempo em que, preocupado com a preservação da história, discorre, em forma
de verbetes, sobre a instalação das Vilas de Parnaguá e Jerumenha, a
primeira em 03 de junho de 1762, e a segunda, em 22 de junho do mesmo ano.
Quem as instalou, quais as personalidades presentes àqueles atos? O livro
capricha nos detalhes dos episódios que marcaram o surgimento do Piauí,
mantendo viva a documentação produzida há exatos 247 anos.
Ele também discorre sobre o início da guerra contra os índios Gurgueias, e a
inútil resistência destes contra a fúria do comandante do Regimento de
Cavalaria Auxiliar do Piauí.
O massacre foi tão impiedoso que, em maio de 1873, exatos 109 anos após o
início da matança, o Barão de Paraim, certamente orgulhoso pelo cumprimento
da tarefa sinistra, "comunica ao governo provincial que não mais existiam
aldeamentos indígenas, nem índios no Piauí".
Quando, de onde, e comandados por quem, partiram os cavalarianos piauienses,
para o sangrento combate às tropas de Fidié, em Caxias? E de onde partiram,
em que tipo de embarcação, os piauienses do 2º Corpo de Voluntários da
Pátria que participaram da Guerra do Paraguai?
O livro revela estes e outros detalhes sobre a criação de escolas de
primeiras letras e o desdobramento, no extremo sul do Piauí, da Balaiada,
iniciada no Maranhão, além do surgimento dos primeiros templos católicos e
protestantes em nosso território.
Em centenas de verbetes, Jesualdo cita personalidades, livros, tradições e
recursos naturais da região do Gurgueia, cujo povo luta por sua emancipação
política. Afinal de contas, são séculos de promessas não cumpridas e de
decisões políticas equivocadas.
"Gurgueia - Espaço, Tempo e Sociedade" é um livro indispensável nas
bibliotecas públicas e particulares do Piauí.
(*) Deoclécio Dantas é jornalista
deocleciodantas@hotmail.com