MATÉRIA SOBRE O GURGUÉIA

 

O SONHO DO GURGUEIA

 

Oton Lustosa*

 

(Artigo publicado no Jornal Diário do Povo - 23/08/2009)

 

No artigo O Conto do Gurgueia, que escrevi e publiquei no ano de 2005 e que pode ser lido no sítio virtual www.gurgueia.org.br, a certa altura daquela evocação, bradei: "Quatro séculos de história... Porém, a luta continua. Não bastaram a conquista, o povoamento e o congresso. Há aqui uma vontade plantada no chão, uma ideia represada na mente, preso um grito na garganta. Águas várzeas, chapadas, ouvi! Fazei ecoar este grito, ó sertão de rodelas! Acudi ao chamado, ó marquês! Saltai das tumbas, ó barões! Refrescai a memória e re-conhecei, ó Piauí imenso e bom! É chegada a hora. Executai a vossa idéia, segui a vossa vontade, ó povo gurgueiano! Para o trabalho, o progresso a luta democrática e a felicidade geral de vossos filhos, figurai no mapa do Brasil, ó ativo Estado do Gurgueia"


Nós, os piauienses do Sul, bem podemos avaliar o quanto representa essa espera. Jesualdo Cavalcanti Barros, que encetou a sua luta da tribuna do Congresso Nacional Constituinte de 1988, encerrados os mandatos parlamentares e a vida burocrática nos meandros da administração pública, sem o fervor do Conto do Gurgueia, mas com a frieza das páginas científicas, entregou-se de corpo e alma à tarefa de demonstrar, racionalmente, que a saída é o dividir para crescer, é a criação do Estado do Gurgueia.


Neste sentido, já publicou seis livros, entre eles destacando-se Memória dos confins, já em segunda edição, obra de imensurável valor no campo da historiografia piauiense. Seguiram-se Tempo de contar e o Dicionário Enciclopédico do Gurgueia. Agora publica o valioso Gurgueia: espaço, tempo e sociedade, a ser lançado no próximo dia 2, no Cine-Teatro da Assembléia Legislativa. Na obra, o autor descreve ambiências dos sertões e dos cerrados; rememora acontecimentos históricos; e registra para a posteridade, com tintas literárias, os costumes e os falares do povo gurgueianos. É livro rico em informações, indispensável a quem se proponha compreender a razão de viver e de sonhar de um povo.


(*) Oton Lustosa é filho de Parnaguá, magistrado, escritor e membro da Academia Piauiense de Letras.

 

Voltar à página principal