MATÉRIA SOBRE O GURGUÉIA

 

ESTADO DO GURGUÉIA! VAI SER BOM PARA PARANAÍBA?

 

(Publicado no Site www.opiagui.com.br em 26 de agosto de 2009)

 

Paulo Henrique Neves*

 

          A idéia do separatismo tomou conta de parte da região Norte e Nordeste do Brasil, movida pela força do agronégocio que move os projetos de emancipação de cinco novos Estados que pode dividir: o Pará (com o Estado de Carajás e o Estado de Tapajós), a Bahia (com o Estado de São Francisco), o Maranhão (com o Estado do Sul do Maranhão) e o Piauí (com o Estado do Gurguéia).
           No caso do Piauí, com a divisão, seria criado o Estado do Gurguéia que ficaria com território de 153.117 km2, representando 60,87% da área atual do Piauí (251.529Km2) e com uma população de aproximadamente 650.000 habitantes. O outro Estado continuaria com o nome de Piauí e ficaria com área de 98.412 km2 e com uma população de aproximadamente 2.360.000 habitantes. Dos atuais 223 municípios do Piauí, 87 seriam desmembrados para o novo Estado. A região em que querem criar o Estado do Gurguéia vem atraindo indústrias e investimentos, aonde grandes produtores de soja, vindos principalmente do Rio Grande do Sul e Paraná, se estabeleceram e fizeram fortuna. Lá se concentram 48% do rebanho bovino, 44% do rebanho caprino/ovino do Piauí e ainda responde por 4,5% da produção brasileira de mel. A economia do Gurguéia é assentada principalmente na pecuária e na agricultura, sendo responsável por 86% da produção de grãos do Estado, com previsão de dentro de dez anos alcançar mais de 6,5 milhões de toneladas de grãos, das quais 5,5 milhões de soja. Dai à instalação da unidade de processamento de soja em Uruçui e de produção de biodiesel em Floriano. Ficará no Gurguéia toda a região do cerrado piauiense, as nascentes do Rio Parnaíba, a usina de Boa Esperança e a ferrovia transnordestina, que ligará Uruçui aos portos do Ceará e Pernambuco. No Gurguéia, a companhia Vale do Rio Doce, prepara-se para instalar uma unidade de exploração de níquel no município de Capitão Gervasio Oliveira! -Não parece muito justa esta divisão. Se o mapa do Piauí lembra um grande saco com a parte de baixo cheia, estamos perdendo justamente a melhor parte: a cheia. Por que os que ficarão no Piauí estão tão conformados apoiando a divisão, mesmo em desvantagem, pensando apenas na arrecadação do fundo de participação que dobrara com os dois novos Estados? Quem serão os beneficiados?
           O apoio à criação do novo Estado é muito forte. Apoiados pelos grandes produtores gaúchos e paranaenses, possuidores de grandes propriedades no sul do Estado, pela elite do poder do Estado do Piauí que é proveniente da região que quer ser independente e de praticamente toda a classe política que vê com bons olhos a criação do novo Estado, pois ele de imediato dobra o numero de: governadores, senadores e deputados com seus respectivos vices e suplentes. No funcionalismo então a festa é maior ainda: o novo Estado vai ter novos funcionários públicos Estaduais e Federais, secretários, procuradores, desembargadores, diretores etc. Os vereadores e prefeitos de todo o Estado, também ficam empolgados com a possibilidade de com menos votos poderem alcançar melhores cargos. Teresina, que tem em sua população uma maioria de funcionários ou dependentes do funcionalismo público, tem um sentimento de euforia com a possibilidade da criação de tantos novos empregos públicos, afinal, têm em sua população diversos moradores provenientes da região que poderá ser o novo Estado. E Parnaíba, o que vai ganhar com esta divisão? -Analisando bem, nada.      
           Como líder econômica e populacional da região Norte, os políticos e moradores de Parnaíba têm que tomar uma posição em relação a um acontecimento tão importante. Caso aconteça a divisão do Estado e devido às diferenças geográficas, econômicas e sociais entre Parnaíba e Teresina, é necessário que Parnaíba tome uma posição de estudar e mostrar o que vai mudar em nossa economia e de toda a região Norte, analisando a importância das melhorias que virão para nossas comunidades. Parnaíba e Teresina, que continuarão no Estado do Piauí, têm uma rivalidade histórica. Começou na decisão de onde deveria ser a capital do Estado, após Oeiras. Devido Teresina, a capital escolhida, ter sua posição geográfica ao lado do Estado do Maranhão, o teresinense criou uma afinidade maior com as cidades do outro Estado, provenientes do comércio, agricultura, pecuária, propriedades de terras e culturalmente, com a grande quantidade de maranhenses que vieram morar, estudar ou trabalhar em Teresina. Acreditando no potencial econômico das cidades do Estado vizinho, os teresinenses resolveram investir no Maranhão, sem nunca se preocupar com o fato de estarem investindo em cidades do outro Estado.
           Abandonando as outras cidades do Estado do Piauí, os teresinenses procuraram o desenvolvimento de Timon, que mesmo sendo cidade do Estado do Maranhão, foi considerada como bairro ou cidade dormitório de Teresina, procurando ficar unidas com a construção de pontes. Fazendo parte “da grande Teresina”, Timon teve sua rede elétrica, de telefone e abastecimento de água coordenado pelo Piauí além de vários outros benefícios e como não tinha nada a perder com o investimento piauiense, atualmente aproveita-se das diferenças tributarias, e atrai todos os grandes atacados de Teresina, que constroem grandes galpões para distribuição e lojas compatíveis com a da capital do Piauí. Transformou-se no “nosso Paraguai” e é atualmente uma das cidades que mais desenvolve no Estado do Maranhão.
           Percebe-se que o Piauí, antes da divisão, resolveu investir e concentrar seu desenvolvimento em Teresina, que além de ter a maior participação nos recursos do Estado, concentra os maiores salários dos funcionários Estadual e Federal do Piauí. Teresina desenvolveu-se também criando o pólo médico, pólo de convenções, pólo de educação, pólo de eventos etc. Com isto o financiamento do Estado para construções de hotéis, pousadas, clínica, colégios, faculdades etc. Intitulando-se “cidade turística de eventos”, conseguiu ficar também com a maior participação do investimento turístico do Estado, que criou infra-estrutura para receber seus visitantes com construção de Avenidas, Pontes, Parques Ambientais e tudo o que possa melhorar a vida do piauiense que mora ou visita Teresina.
           Acontecendo ou não a divisão, Teresina como a maior e mais rica do Estado, tem agora o dever de colaborar com o crescimento das demais cidades que estão ou ficarão no Piauí, com investimentos, freqüência, parceria. Temos que dividir o funcionalismo, colocando para trabalhar os funcionários públicos Estaduais onde deveriam está produzindo, no caso de Parnaíba e Luiz Correia, a secretaria de turismo. No Gurguéia, a secretaria de Agricultura.
           Somos a favor da divisão se for de uma forma mais justa. Acontecendo a divisão como está no projeto, só podemos ter uma certeza: em pouco tempo serão mais ricos que o Estado de origem, e os piauienses voltarão com certeza ao ranking dos mais pobres. Por que eles têm que ficar como maior território e a menor população? Por que vamos perder o direito de proteger as nascentes do nosso Rio Parnaíba? Por que o Estado do Gurguéia tem que ficar com 100% dos Cerrados Piauienses e a Usina de Boa Esperança? Por que a ferrovia Transnordestina vai nos tirar a possibilidade de exportação de toda a nossa atual produção de grãos transferindo para outros Estados? -Não dá para entender: ao mesmo tempo em que o governo divulga o projeto da retomada das obras do porto de Luiz Correia, desvia a produção, ainda do Estado do Piauí, para beneficiar e ser exportado nos portos do Pecém (Ceará) e Suape (Pernambuco), localizados nos outros dois Estados vizinhos. Será que os interessados na criação do Estado do Gurguéia antes da divisão, já pensam em desenvolver-se independente do Estado do Piauí? Não seria melhor para o Estado do Piauí uma ferrovia ligando o Gurguéia a Teresina, que já tem ferrovia ligando aos portos do Ceará e Maranhão? Ou também uma hidrovia, ligando o sul do Estado a Teresina e ao porto de Luiz Correia, projeto de nosso grande político Alberto Silva.
            Eles, do Estado do Gurguéia, estão unidos e decididos e nós não podemos ficar só olhando e admirando a determinação deles. Nós os parnaibanos, que temos pouca identidade com o sul do estado, devemos apresentar propostas de união, participação e desenvolvimento para o Piauí unido, sem separatismo ou para o Piauí que sobrar. Precisamos da produção do Gurguéia para viabilizar nosso Porto. Vamos começar nossa campanha. Com amor, participação, fé e união em um novo Piauí, diferente e com propostas.

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