MATÉRIA SOBRE O GURGUÉIA

 

ESTADO DO GURGUEIA, UMA NECESSIDADE DE PROGRESSO

 

Regis de Moraes Marinho*

 

(Artigo publicado no Jornal Diário do Povo - 12/09/2009)

 

Sebastião Barros, município do extremo sul piauiense incluído no projeto de criação do Estado do Gurgueia e o mais distante do Piauí em relação à capital, situado a 940 km de Teresina, desponta, na segunda edição do IFDM, índice de desenvolvimento municipal da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro, divulgado neste ano, como o município piauiense de mais baixo estágio de desenvolvimento nas áreas de educação, saúde e geração de emprego e renda (0,3178).

Não por acaso, dos onze municípios do Piauí que apresentam baixo estágio de desenvolvimento, com IFDM entre 0 e 0,4, mais oito deles, além de Sebastião Barros, situam-se no mapa do projetado Estado do Gurgueia, a saber: Campo Alegre do Fidalgo (0,3772), Conceição do Canindé (0,3940), Currais (0,3997), Guaribas (0,3323), Jacobina do Piauí (0,3844), Morro Cabeça no Tempo (0,3800), São Gonçalo do Gurgueia (0,3567) e Várzea Branca (0,3833).

Da análise desses índices, depreende-se facilmente o quão relegados ao atraso educacional, sanitário, empregatício e econômico estão mais de 10% dos 87 municípios que comporiam o futuro Estado do Gurgueia, a denotar que o sul piauiense, por sua considerável distância em relação ao centro administrativo do poder estadual, está a requerer um urgente e impactante projeto de desenvolvimento, que promova e preserve, a um só tempo, o bem-estar do gurgueiano em seus espaços campesino e citadino e a harmonia natural de seu meio ambiente e seus biomas.

É então que surgem, bem encadeados, o sonho, a ideia e o projeto de criação do Estado do Gurgueia, como uma exigência insuperável de luta pelo progresso e desenvolvimento geral dos sofridos rincões piauienses, abrangendo, destarte, nesse contexto, não somente a região sul, mas também a região norte do Piauí, que, uma vez desonerada dos encargos socioeconômicos e administrativos do sul, disporia, enfim, de mais recursos para investimentos em sua própria infra-estrutura, educação, saúde e geração de emprego e renda.

Este o mote, esta a pedra de toque, o fundamento número um do projeto de criação do Estado do Gurgueia: desmembrar para evoluir, dividir as unidades federativas coirmãs para, assim, dentre outros benefícios, levar o poder administrativo decisório para o centro da longínqua região sul (Município de Alvorada do Gurgueia), a fim de melhor eleger prioridades, objetivos e metas governamentais, reduzir os custos da máquina administrativa do Estado do Piauí (região norte) e fomentar e majorar os tão necessários investimentos na exploração dos recursos naturais e nas potencialidades econômicas hoje em grande parte estagnadas, assim no território piauiense propriamente dito, como no gurgueiano.

O Estado do Gurgueia, portanto, enquanto realidade espacial, societária e cultural que o é, gestada desde os primórdios da colonização dos então denominados “Sertões de Dentro do Piagohy” (1674), não se trata, ao contrário do que costumam pensar alguns mal-informados, de uma maquinação de políticos ávidos por cargos, fisiologismo e corrupção, mas cuida-se, deveras, de uma imperiosa necessidade de progresso socioeconômico de um povo, tanto mais premente, quanto mais precário e pobre vem se tornando o quadro de desenvolvimento municipal do sul piauiense.


(*) Regis de Moraes Marinho é promotor público.

 

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