MATÉRIA SOBRE O GURGUÉIA

 

PONTO DE VISTA

 

(Publicado no Jornal Meio Norte em 24/11/2010)

 

Carlos Said*

 

O escritor Gilvanni de Amorim (Gilvanni de Carvalho Amorim: São João, Piauí, 1934), revolvendo o processo histórico piauiense, avista assuntos pertinentes à criação do Estado do Gurgueia. É de aviltre o esclarecimento sobre a publicação do artigo: “Estado do Piauí do Sul”, uma vez que está descartada a ideia da crítica velada. Gilvanni de Amorim apresenta o seu ponto de vista delimitando geograficamente o Estado do Piauí do Sul. Ademais, nas entrelinhas  do artigo, não há nenhum atrevimento que diminua o interesse pela divisão e, consequentemente, criação do Estado do Gurgueia. E os argumentos desse são-joanense estão apontados para a colonização e para o processo étnico. Parâmetros considerados por ele e que levam ao devassamento da terra pelos fazendeiros, para a criação do gado e, por fim, ao extermínio dos índios (na verdade, os primitivos habitantes da terra presentemente questionada para separação). Assim, a ação de descobrir do Gilvanni de Amorim é pela manutenção do lugar natal.

Não importando se piauiense do norte ou piauiense do sul.

 “Sou favorável à divisão do Estado do Piauí, mas não concordo com o nome que querem dar ao novo Estado. Se o nomeamos Gurgueia, em homenagem ao formoso rio Gurgueia, o maior e mais caudaloso depois do Parnaíba, estamos esquecendo o rio Piauí, da sua importância também no processo de colonização do nosso território: foi, principalmente pelo vale do Piauí, que fazendeiros das Capitanias de Pernambuco e da Bahia criaram fazendas de gado que deram origem a várias cidades: São João do Piauí é uma delas.

“Os índios é que não gostaram nada disso, pois foram massacrados durante esse processo. Eram as tribos dos Pimenteiras, dos Acroás e dos Gueguês. Os Pimenteiras viviam nas nascentes do rio Piauí até a lagoa de Parnaguá, no extremo sul, margeando a Capitania da Bahia; os Acroás, conhecidos como Gamelas porque usavam no lábio inferior um adorno de madeira em forma de gamela, habitavam vasta área dos vales do Piauí, do Canindé e do Gurgueia; e os índios Gueguês ocupavam terras do Gurgueia, do Canindé e do médio Piauí até a sua foz, onde desemboca no Canindé, perto de Amarante. O rio Piauí, embora mais extenso do que o Canindé, é seu afluente porque possui caudal menor. Mas aí é outra história. “Algumas das principais cidades do Estado a ser criado estão fora da região do Gurgueia:

Floriano, Uruçuí, Ribeiro Gonçalves, São Raimundo Nonato, São João do Piauí, Paulistana, Simplício Mendes, Canto do Buriti, Itaueira.

 “Esse tipo de mudança mexe com a alma, com o sentimento afetivo do povo, que tem orgulho de ser piauiense e não quer deixar de sêlo; faz parte da sua memória, da sua história. Imagina um filho de São João do Piauí, de São Raimundo Nonato, de Caracol, de Simplício Mendes, de Conceição do Canindé, de Paulistana, de Betânia do Piauí, de São José do Peixe, de Nazaré do Piauí, de Uruçuí, de Ribeiro Gonçalves, de Canto do Buriti, de Itaueira, de Floriano, ter de dizer que é do Gurgueia, portanto, gurgueiano ou gurgueiense, ou coisa que o valha!

 “Para resolver isso e facilitar a aprovação do novo Estado em plebiscito, proponho um nome

de consenso que vá unir todos nós, um nome para continuarmos sendo piauienses como sempre fomos. Eis o nome: Piauí do Sul”.

* Jornalista e Professor

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