MATÉRIA SOBRE O GURGUÉIA

DIVISÃO DO PIAUÍ, É BOM PARA O TERESINENSE

 

(*) Carlos Alberto Pereira de Sousa

Artigo publicado no Jornal Diário do Povo em 29 de agosto de 2011

Em 1823, praticamente quase um ano após a independência do Brasil, o Piauí através de lutas contra os portugueses que aqui ainda permaneciam, com muitos piauienses tombando e perdendo suas vidas, conseguimos a nossa independência, pois éramos os únicos povos que ainda estavam sob o domínio lusitano.

Mas, foi a partir de meados do século XVII, que o Piauí começou a ser efetivamente ocupado. Antes, seu território tinha sido percorrido por várias expedições, sem maiores pretensões de exploração, a nossa ocupação de acordo com os historiadores, deu-se basicamente pelo avanço rápido da pecuária, com isso afastando os grupos indígenas que aqui habitavam.

Geograficamente, o Piauí está situado na porção ocidental do Nordeste brasileiro. Ocupando uma extensa área de 250.934 Km², é o terceiro maior Estado nordestino; no entanto, por serem muito grandes as distâncias enfrentadas por alguns municípios, traz a necessidade da divisão desse imenso território, desbravado por Domingos Jorge Velho e Domingos Afonso Mafrense.

Falta ao Piauí um projeto de Estado. Um projeto que leve o Estado a direções diferentes, e que possa ser a longo prazo. Vivemos hoje uma particularidade histórica inusitada; nem mesmo os políticos, nem os demais segmentos da sociedade, tem conseguido entender que projeto será executado, para conseguir encurtar as distâncias entre os mais longínquos municípios mais pobres.

Essa separação se faz por uma cavidade abismal. É muito grande o distanciamento entre alguns municípios e a capital, onde estão concentradas todas as atenções dos acontecimentos do Estado, em todos os aspectos: econômicos, políticos e sociais. Assim, esses municípios, distantes, podem ser considerados segmentos marginalizados, havendo possibilidade de não inclusão social.

Desse modo, considerando a problemática da estagnação da economia piauiense ao longo de toda sua existência, logicamente que a viabilidade de um projeto para a separação do Estado tem que avançar, cabendo a sociedade contribuir. Para a concretização desse objetivo, basta olharmos para os Estados que já passaram por esse processo de divisão.

A capacidade de um  Estado em aumentar ganhos de produtividade, ampliar os lucros e conquistar mais empregos depende de políticas públicas que priorizem a melhoria contínua de qualidade em todos os setores sociais e econômicos, tanto de Estado como de um país; na realidade só depende mesmo da boa vontade dos políticos, que são poucos os possuidores dessa boa vontade.

No entanto, caros leitores, cabe a nós que fazemos parte dessa sociedade, refletir que nossa história do desenvolvimento seguiu como base o pensamento dominante. Entretanto, a criação das condições para a industrialização, ou seja, o desenvolvimento do Estado ficou estagnado.

A proposta da divisão do Estado do Piauí é bastante salutar e louvável. São inegáveis as mudanças que a sociedade piauiense tem passado entre as últimas décadas do século XX e XXI, mas as distâncias entre alguns municípios e a capital não encurtaram, isso gera uma extrema desigualdade, cabe ao poder público urgência em resolver essa situação o mais breve possível.

Finalmente, quero deixar claro para os leitores que, essa divisão, vai beneficiar bastante os teresinenses, um povo desprovido de ambição. Com essa divisão, os teresinenses vão ter mais oportunidade. O que acabo de dizer se aplica a todos os setores sociais de Teresina, principalmente o setor público.

(*) Carlos Alberto Pereira de Sousa é professor da rede pública e secretário executivo do Conselho Municipal de Educação de Teresina.

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