(Publicado no Jornal Diário do Povo, em 20/10/2011 e no site 180 Graus)
O primeiro debate público com repercussão sobre a criação do Estado
do Gurgueia foi promovido ontem pela TV Cidade Verde, na passagem do Dia do
Piauí. De um lado, o Centro de Estudos e Debates do Gurgueia e do outro o
Movimento Piauí Unido, lançado recentemente. Ambos defenderam seus pontos de
vista e criticaram o que julgaram ser oportuno criticar. O debate contou com
a participação de políticos militantes e professores da Universidade Federal
do Piauí, e transcorreu em clima acalorado, com platéia contra e a favor. A
TV produziu matérias jornalísticas sobre a realidade do Sul do Piauí, com
suas riquezas naturais e suas potencialidades. Se não mostrou a evidencia da
necessidade da divisão do Piauí, o debate de ontem deixou muito claro o
abandono a que historicamente o Sul do Estado foi relegado. Entra governo e
sai governo e a situação não muda. O Sul do Piauí é uma região que
vive praticamente sem a presença do governo estadual. O primeiro
investimento significativo na região foi feito no governo Helvídio Nunes,
através da construção da PI-4, asfaltada no governo Alberto Silva. O
extremo-Sul ligou-se, finalmente, à capital por rodovia asfaltada. O governo
não acompanhou o ímpeto desenvolvimentista da região. A transcerrado, uma
estrada de 330 quilômetros, a espinha dorsal dos cerrados, ficou só na
promessa, de governo para governo. Ela e tantas outras obras de
infra-estrutura que faltam à região, especialmente nas áreas de energia
elétrica e de comunicação. O que dizer da área de saúde? O Piauí deve muito
ao Sul do Estado. Daí porque é muito oportuna a discussão em torno do
Gurgueia. Há quem seja contra? Não faz mal. Que seja. Portugal foi contra a
independência do Brasil. O Pará foi contra a independência do Maranhão e está
sendo contra a criação dos Estados do Tapajós e Carajás. O Maranhão foi
contra a independência do Piauí. E assim sucessivmente.