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Conta
a crônica histórica que, em meados do século XVII,
fazendeiros do vale do rio São Francisco penetraram os
então desconhecidos “Sertões de Dentro do
Piagohy”, e após baterem as várias nações nativas
que os habitavam, iniciaram a instalação de seus
currais de criação de gado. Começava assim o Piauí
pelos sertões do sul, tanto que eram localizadas nessa
região, precisamente no vale do rio Gurguéia, as
primeiras concessões de terras (sesmarias) para a
exploração da atividade agropastoril, por volta de
1676. Mapa da Capitania do
Piauhy, de 1760.
Na trilha do boi, os
fazendeiros foram ocupando os vales úmidos do Paraim,
Gurguéia, Parnaíba, Piauí e Canindé, neste fundando
Oeiras, a primeira Capital. Só após percorrerem quase
1.500 km, é que alcançaram o mar. A tempo, porém, de
conquistar alguns quilômetros de litoral. O acesso ao
mar, através do rio Parnaíba, favoreceu o
desenvolvimento do comércio e da indústria no norte,
que passou a ser o centro das decisões políticas,
sobretudo a partir da mudança da Capital, em 1852, de
Oeiras para Teresina, ainda mais distante do extremo sul
(cerca de 1.000 km).
A atividade agropastoril,
que se tornara, por quase duzentos anos, o sustentáculo
da economia do Piauí, entrou em colapso, provocando o
empobrecimento do sul, a despeito de suas reconhecidas
potencialidades. Tal situação tem gerado profundas
apreensões em todos os setores da sociedade piauiense,
daí resultando uma febril busca de soluções, dentre
as quais ganha corpo a via da emancipação política.
Para surpresa de alguns, o
movimento pela emancipação teve origem historicamente
no norte do Piauí, como forma de incorporar aquela região
ao processo de desenvolvimento do Estado.
Com efeito, o próprio fundador de Teresina, o
conselheiro José Antônio Saraiva, considerava em 1850
uma necessidade
palpitante, face às distâncias e dificuldades
reinantes, aqueles sertões serem desmembrados do Piauí.
Por isso mesmo, o senador barrense Joaquim Pires
Ferreira, em 1950, exortava: “Façamos
a independência do sul do Estado em benefício do próprio
Estado”, idéia retomada pelo jornalista José
Fernandes do Rego, seu conterrâneo, que defendeu, em
1954, a transformação daquela região em Território
Federal. O senador parnaibano Chagas Rodrigues
sugeriu, em 1987, a criação do Estado
do Piauí do Sul.
Coube, contudo, ao Dep. Federal Jesualdo
Cavalcanti, filho de Corrente, expressar pela primeira
vez esse sentimento e suscitar o debate perante o Congresso
Nacional, em
discurso pronunciado em 13.12.1990 ao propor a criação
do Estado do Gurguéia, nome por ele dado à
nova unidade federada, em homenagem ao vale-símbolo
da fertilidade da região. Sua proposta de emancipação
incluía toda a área que o IBGE convencionou
denominar de Sul Piauiense, em sua divisão regional
de 1977, compreendendo 152.233 km2 dos 250.934 km2 do
território piauiense.Sua proposta foi consolidada
no primeiro mapa do Estado do
Gurguéia. A semente germinou vigorosamente, tornando-se
tema de discussão em todas as camadas sociais,
tanto do Sul quanto do Norte do Piauí.
Posteriormente
a idéia foi consubstanciada pelo deputado Paes Landim,
filho de São João do Piauí, no Projeto
de Decreto Legislativo nº 439, de 1994, que dispõe
sobre a realização do respectivo plebiscito. O Projeto
foi aprovado em duas comissões técnicas da Câmara dos
Deputados: Comissão de Constituição e Justiça e
Redação, com Parecer
do Dep. Nilson Gibson, aprovado em 28/11/1995 e pela
Comissão de Finanças e Tributação, com Parecer
do Dep. Milton Monti, aprovado em 1º de agosto de
2001.
Encaminhado
a Comissão da Amazônia, Integração Nacional e
Desenvolvimento Regional, recebeu substitutivo do
deputado guadalupense Júlio César de Carvalho Lima,
seu relator, aperfeiçoando o projeto, com o apoio
majoritário da bancada federal piauiense dos diversos
partidos. O
Parecer com o substitutivo foram aprovados em 5 de
abril de 2006. Resta ser aprovado pelo plenário da Câmara
para ser submetido à apreciação do Senado.
Para
realizar pesquisas sobre os impactos sociais, culturais,
históricos, geográficos, econômicos, financeiros e
administrativos decorrentes da emancipação, bem como
estudar e debater sua viabilidade, foi criado em 18 de
novembro de 2005 o Centro de Estudos e Debates do Gurguéia (Cedeg), composto de
pessoas interessadas no assunto, independentemente de
sua filiação político-partidária, ideológica ou
religiosa.
Leia
o Estatuto do Cedeg
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